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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Poeta, homicida de si...

O poeta tentou lutar contra sua vontade de expressar-se, acreditou que a solução seria não escrever mais e abandonar as palavras. Agora o poeta rendeu-se e voltou às suas origens...

Ingrato!
Traiu-me. Acalentou meu espírito
E disse-me que minha alma
Descansaria. Presumo que tratava-se de uma armadilha,
Um plano perfeito.
A alcova está trancada, os pingos
De chuva podem ser ouvidos,
O poeta encontra-se blasé,
Seus gestos reclusos fizeram-no desditoso.
Nem as redondilhas novas ou velhas
Descrevem tamanha anedota psicológica.
O poeta duvida se algo já estava
Descrito no mundo das ideias
Para explicar tamanho descontentamento.
Ele disse que seus sentimentos
Seriam como um alaúde,
O passado estivera preparando
O futuro, o poeta
Não ficaria agastado.
Traidor, ingrato e caluniador,
Você, Coração, prometeu-me paz,
Conforto, até o dia em que
Deixou-me como a casa de Usher.
Iludiu-me, agora encontro-me como
Um coração despedaçado em poesia,
Você, Coração, deverá ser tratado
Com maiúscula alegorizante, assim
Será enfatizado o quão miserável são
Os seus atos, deve ser punido como
Um ser humano, orgão desprezível.
Traiu-me...
Com um tiro acabo de matá-lo,
Há um Coração sobre o assoalho,
A prova existente encontrada para tal ato abominável
Explica-se que para a traição
Não há perdão, o poeta vingou-se...