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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Vida em Poesia...

 
"Qual Canac e que à morte se condena,
Nūa mão sempre a espada, e noutra a pena.
os Lusíadas VII, 79, 7-8"
"Há uma separação entre os poetas e os amigos dos poemas? Entre os que fazem literatura e os amigos da literatura? Entre os que fazem literatura e os amantes da literatura? Poetas uni-vos, vistam suas camisas, lutem pela sua pátria, amem a arte da pena do escrivão... sejam poetas da vida, da Filosofia, da História, apenas mergulhem nesse mundo em que o poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve"[...].
Poetas, nessas mimeses da vida achamos a nossa verossimilhança e nos tornamos narradores protagonistas...
A vida é impenetrável assim como o Sol de cada dia...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O teatro da vida real...

Quando estamos assistindo a uma encenação, é algo tão real que conseguimos atingir, na maioria das vezes, o objetivo da peça. Nós, plateia, entramos na história, assumimos o papel de narrador onisciente, pois fazemos especulações sobre todas as cenas. Queremos antecipar o final com meros "achismos".
Quem disse que para ser ator precisa ter curso?
Atores, cada ser vivente que liberta o seu eu lírico interno, seja ele um Orfeu, uma Madrastra ou uma mera Cinderela, o que importa é atuar... simplesmente atuar.
Liberte-se, voe com Hermes, peça os truques de Ícaro, no labirinto não haverá Minouro algum, nem um tirano Minos proibindo-o de retornar para sua pátria...
Truques de encenação não há, somos atores e plateia do nosso próprio show, erros e acertos também fazem parte, até improvisos são bem-vindos. Tragédia grega ou brasileira, tanto faz, plurissignificação, mimese, verosimilhança não podem faltar. Como dizem os clichês cotidianos, somos 8 ou 80, tudo na nossa vida são relações lexicais de oposição ou equivalência, um verdadeiro jogo de antonímias e sinonímias... Se alguma condição de felicidade faltar-lhe ou alguma máxima ficar ausente, o importante é não romper com a face positiva.
Somos atores anônimos, sim, mas vivemos como poetas eternamente apaixonados. O paradoxo de Camões, as cantigas de Dinis e os sonetos de Morais não seriam capazes de explicar esse amor atento e com tal zelo...
Somos meros atores, onde nos bastidores do anonimato cada ser vivente liberta o eu lírico que os torna atores da vida...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Pedaço de um relicário...

"Ah! Desditosa admiração...
Antes de iniciar qualquer escrita, gostaria de avisar que há muitos pensamentos para serem expressados neste espaço (i)limitado.
Para tentar começar, devo confessar que nessas últimas semanas passei por muitas oscilações.
Pausa para uma conversa paralela.
Alguns meses atrás, desejei escrever um texto declarando todos os anceios em relação a uma nova fase que poderia surgir. O problema é que se não passo para o papel todas as idéias no momento em que as penso, provavelmente não as escreverei em outro dia. Junto com essa vontade de escrever, apareceram alguns sentimentos, sendo eles os mais diversos. Receios, dúvidas, inseguranças e mais alguns. Tudo passou.
Desejei manter um diálogo e dar início a uma conversa relativa a esse texto ao qual eu pretendia escrever. Citei que outros estão apenas sentindo o que eu senti durante alguns anos, mas que um dia irá passar. Tentei manter um diálogo, pois desejava saber detalhes para passar confiança e acrescentar algumas coisas que possivelmente poderiam ficar de fora. Não foi possível. O diálogo não fluiu, portanto nada pode ser declarado.
Antes de dar início a qualquer etapa, na mente, muitas possibilidades se passam. Muitas ideias e possíveis sentimentos futuros passam a ser analisados e muitas vezes temidos. Nada aconteceu. Tudo ocorreu ao contrário. Nada está sendo diferente como haviam dito, há cadernos, porta, trabalhos, um quadro mais extenso, um único foco: ampliar todo e qualquer tipo de conhecimento e aperfeiçoamento de todo conteúdo. A única diferença se dá em pequenos detalhes. Deixarei abandonados, pois enquanto o significado de cada letra for lembrado com precisão, não haverá a necessidade de existir detalhes.
Retornando ao assunto principal.
O sentimento é algo ingrato. Eis aqui uma pequena descrição. Quando nos apegamos a algo, passamos primeiro por etapas, sendo o intervalo de tempo entre cada uma curto ou não, vai depender de cada indivíduo.
Vamos tentar nos aproximar o mais possível de cada fase.
Você conhece, analisa, aprova ou desaprova. Como se trata de aspectos positivos, você aprova. Você se identifica e sente um pequeno gosto, uma sensação que aquilo o agradou. Tem a impressão de que aquilo poderá lhe render algo positivo, porém para obter resultados mais convictos, precisa esperar até que chegue o dia seguinte. Apenas com o passar dos dias poderá afirmar se suas suposições eram certas.
Esse outro dia chegou. Ao terminar as tarefas, você percebe, ocasionalmente, que suas suposições iniciais eram as corretas e sente uma enorme sensação de satisfação. Você gostou, achou interessante e produtivo.
Com todos esses sentimentos que os agradam, as sensações aumentam até o ponto em que se descobre que você gostou daquilo exageradamente. Uma admiração cresce inexplicavelmente. Essa admiração é tão intensa que o faz desejar o dia seguinte novamente. Em apenas algumas horas você se apaixonou. A ansiedade deseja aparecer e pequenas palpitações começam a surgir consequentemente. Talvez a leitura seja mais demorada devido aos detalhes, porém os sentimentos agiram de uma forma muito rápida e eficaz.
Você analisou, gostou, admirou, se apaixonou. Ah, maldita admiração. Quando ela deseja aparecer, não pergunta se a queremos. Ela aparece e chega ao ápice para em seguida desaparecer e dar lugar a algo superior. Tudo começa na admiração. Já sabemos quem é a culpada.
A fascinação foi dominante. Já não consta na lista as oscilações, o sentimento definiu-se por completo. A paixão chegou. Talvez com o decorrer dos dias, algo seja menos intenso. Sempre passa. Uma época assim sempre tem sua queda.
É assim quando você começa a gostar de algo. Existe todo um processo, sendo pacato ou não. A variedade de fato existe. Por enquanto o estágio é intermediário, só nos resta esperar para saber se chegará ao avançado.
O avançado será o amor..."

Lembro-me que este texto foi escrito por mim ano passado, então o por quê das aspas se é meu? Para dar uma entonação que foi uma citação de citação já que hoje a maior parte dessas palavras se evadiram. Assim, como cita o trecho: [...] pequenos detalhes. Os deixarei abandonados, pois enquanto o significado de cada letra for lembrado com precisão, não haverá a necessidade de existir detalhes. Hoje vejo que não pensei na possibilidade de a memória faltar-me e eu perceber que cada letra não é lembrada com precisão, perdi a essência do contexto, triste ou não, enfim... Nota-se que mudei em pouco tempo e passei a colocar os pronomes após os verbos na produção escrita, rs, o estilo muda.
Acredito que este "estágio avançado" ainda não apareceu, seja lá o que isso queria dizer na época desta composição...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Peripécias de um poeta...

Há um poeta devaneador que anda solto por aí pregando peripécias. Primeiro decidiu escrever sobre uma bela atriz - cujo texto será colocado neste humilde espaço - não contente, sentiu-se intimado em planejar uma peripécia de última hora. Ele possuia poucos minutos, logo começou no mesmo instante a compor. Refletiu durante alguns segundos e no começo de sua folha escreveu:
Que Atena me ilumine!

29 de Abril de 2011, às 10h25min. aprox.

Flor do Campo

O poeta desloca-se de sua alcova.
Ultimamente tem andado agastado
com suas fúrias de amor.
Clama aos deuses do Olimpo
pelo amor de sua amada,
Afrodite, traga o amor
de minha deusa para acalentar
este pobre coração que encontra-se
em mortalhas.
Traga-me a flor de lótus,
coloque-a sobre a cabeceira do
meu leito e deixe as musas cantarem
sua canção para invocar o cupido.
A flor de lótus tocou-me a alma,
iluminou a mente obscura.
Fez perder-me de amor,
Orfeu levantou-se para encontrar
sua amada.
Essa flor tinha um coração,
era a deusa mais bela,
deixou um coração aquecido.
O poeta acabara de encontrar
a razão de sua existência.

O poeta deixa um recado: o cupido e suas musas andam soltas, suas peripécias não encerraram-se, qualquer um pode ser a próxima vítima de um poeta apaixonado pela vida...

terça-feira, 19 de abril de 2011

Um modelo plagiado!

 Sexta-feira, 15 de Abril de 2011, às 22h22min.
Querida Kitty, preciso confessar-lhe que a cada dia que passa deixo a minha teoria mais concreta de que o ser humano é inexorável. Até as palavras devem ser contadas para não se perder muito tempo. Quando a pressa é maior, elas simplesmente não são mencionadas, as pessoas esquecem de tanta coisa... Sabe, Kitty, agradeço pela paciência com as palavras jogadas ao vento, acho que ele não as acha tão ruim assim, senão ele devolveria no mesmo instante. Fico feliz em saber que posso contar com você a qualquer hora... ah, querida, se você pudesse ver o meu coração, o que faria por mim? É bom ver que um rascunho e uma velha caneta podem ser bons companheiros e consolam mais do que esperávamos.
Sábado, 16 de Abril de 2011, às 08h16min.
Querida Kitty.
Não sei, mas já há quase uma semana tenho sentido o coração estranho, juro que gostaria de saber explicar, mas não sei o que é. Sei que não é comigo, é como se fosse uma intuição, ou algo parecido, realmente não faço a mínima ideia. Peço que se estiver acontecendo algo, seja sincera comigo, conte-me o que há de errado.
Terça-feira, 19 de Abril de 2011, às 19h18min.
Se eu pudesse ler pensamento isso seria um dom ou uma maldição?
 
 

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O flagelo de um coração...

Os atos são instintos cegos, vivemos da experiêcia vivida, talvez nada passe de uma mera cópia imperfeita do mundo das ideias, somos controlados por emoções. Há dias que gostaria de deixar de existir, refletir em um plano que não seja este. Penso que a cada dia meu coração poderia manter-se em estado de "a priori", porém Locke traria-me de volta a esta realidade. O que pode aquecer um coração? Afrodite saberia responder-me? O Olimpo está em greve. 
As palavras não acompanham a velocidade da escrita, as palavras evadiram-se.
O que sabe-se de um coração dolorido? Um coração que pode ferir-se com atos inúteis, ah! São apenas dias errados, o amanhã irá trazer um novo brilho pela manhã. Quem seria capaz de esmagar-me, quem? O coração, este é traiçoeiro... Tão traiçoeiro que ama o que não pode ser amado, ama quem não é amado, apenas ama.
Cantiga de amigo.
Qual é o poeta capaz de descrever-me tamanha injúria? Quem ousa explicar-me a razão do existir? Quem?
Doa-se um coração.
Fui exilar-me de mim!
 

terça-feira, 5 de abril de 2011

Um conto sem ponto!

Se eu contar um conto 
voce me dá um ponto, 
e eu conto que encontrei-o 
no meio deste desencontro 
e monto um contraponto.
Desconto o desaponto e 
transmonto o semiconto.
Apronto com o miniconto,
reconto, confronto...
Você ri do meu conto,
começo um raconto
e digo:
- Ai, que tonto!