Nesses paradigmas da vida perambulo à procura do sintagma. Talvez já tenha encontrado-o e por determinado motivo oculto ainda não se manifestou, ou talvez ainda não o encontrei. Quem sabe em um belo Outono, por meio da janela, observarei o dia nublado com uma garoa acompanhada por uma leve brisa. Cronos fará uma visita ao meu aposento para confessar-lhe seus reais propósitos. Talvez em um belo dia...
O Olimpo seria capaz de definir minhas angústias? Seria capaz de explicar-me o fundamento da dopamina? E por acaso o homo sapiens sapiens possui explicação? Seria eu capaz de saber se minha realidade paralela não passa de uma simples conotação? Devaneios jogados ao vento... Quem acolherá os sonhos gritantes que em suas oscilações suplicam por algo denotativo?
Não há como identificar o que pode ser mais penoso: a busca da cura ou o esquecimento? O poeta ficou com a memória suscetível. Quem dera se acaso ele recordasse dos seus rascunhos, suas implícitas palavras e o mais fundamental, o porquê daquelas palavras, em qual situação encontrava-se. Após um determinado espaço de tempo, quando o poeta depara-se com escritas anteriores, percebe que as simples palavras não ultrapassam formas sintáticas, formas lexicais ou pragmáticas, mas a semântica perdeu-se na vasta memória.
Quem seria o dono de tais composições? E se a solução vier das Leis da Metafísica? O que Kant diria? Sei que Bento diria que sou uma cigana com olhos oblíquos e dissimulados, simples como olhos de ressaca. Poe seria mais objetivo, "está tudo acabado; escrevam: Ela já não o é". Caeiro indicar-me-ia algo mais devaneador, eu poderia ser uma pastora de rebanhos que negasse a metafísica e pensaria em não pensar em nada. Caso não haja solução crie heterônimos.
Tudo pode resumir-se em um amor que arde sem se ver, uma dor que desatina sem doer e um contentamento descontente.
Nessa incógnita da vida a única certeza é a do saber que não se sabe.
Nessa incógnita da vida a única certeza é a do saber que não se sabe.