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domingo, 6 de maio de 2012

Era uma noite...

... e um garoto fechou o seu livro de poesia. Ele gostava de ler sobre poetas do mal-do-século e todo o romantismo contido em qualquer folha. Ele gostava de empregar metáforas sobre deuses gregos.
Ele gostava de andar na chuva. Ele gostava de literatura e de história da arte.
Ele gostava do amor.
Ele gostava de conhecer as verdades. Ele, talvez, se decepcionou.
Ele morreu.

(Embaixo do travesseiro havia um Werther).


terça-feira, 17 de abril de 2012

A menina que não roubava livros.

Três anos atrás. Um livro lido. Trechos anotados. Uma promessa. Isso tudo para escrever quando lhe acontecesse.
Posso lhe jurar que nós duas nos reconhecemos naquele exato momento. Eu a conheço, pensei. Ela não recuou nem tentou combater-me. Será que ouviu meu maldito bater circular do coração, girando como o crime que ele é em meu peito mortífero? Não sei, mas ela me conhecia, fitou-me cara a cara e não desviou o olhar.

Uma singela conclusão. Um trecho que não fora anotado: O ser humano não tem um coração como o meu. O coração humano é uma linha, ao passo que o meu é um círculo, e tenho a capacidade interminável de estar no lugar certo na hora certa. A consequência disso é que estou sempre achando seres humanos no que eles têm de melhor e de pior.

Silêncio: ausência de som ou ruído. Vocábulos correlatos: quietude, calma, paz.

Toda promessa deve ser cumprida, mesmo se anos já se passaram!

domingo, 8 de abril de 2012

Notas de rodapé de um narrador-personagem.


Não! Eu não quero que me entendam, até mesmo porque nem eu sou capaz de tal proeza. Apenas peço que respeitem os meus amores, as minhas paixões, as minhas iras, os meus receios, os meus devaneios, os meus (des)apegos, as minhas vidas, os meus mundos, os meus locus e minhas possíveis (in)diferenças. Qualquer um pode entrar no meu mundo, mas quem permanece, apenas eu decido.
O mundo acaba hoje e eu estarei dançando.


She expected the world...
And dreamed of paradise 
Every time she closed her eyes!

quarta-feira, 28 de março de 2012

As certezas das incertezas.


Às vezes parece que a vida resume-se exatamente nisso.

(Terça-feira, 21 de Junho de 2011


[...]
Apenas sei que nesse tabuleiro de xadrez que é a vida, só saberei que peça eu sou quando derem xeque-mate.)

Eu descobri!

quinta-feira, 22 de março de 2012

Entre um intervalo e outro. Na aula!

(Gustave Courbet)

A diferença entre caráter e temperamento. Segundo teorias de sala de aula, caráter é construído por meio do contexto social, dependendo da educação, da cultura, da família em que o indivíduo é submetido. O ser humano não nasce com o caráter, pois este é constituído com o tempo. Temperamento já nasce com o indivíduo. Você identifica nos atos assim que nasce. Não identifico tanta distinção assim no campo semântico, mas...
Para mim o indivíduo é um mero personagem dominado ao máximo por seus nervos e por seu sangue, desprovido de livre arbítrio, arrastado a cada ato de sua vida pela fatalidade da carne. Isto tudo é um trabalho surdo das paixões.
Se para os realistas e/ ou naturalistas o amor é uma patologia, é uma doença, então começarei a preparar meu leito, pois para minha doença não há cura.
Afinal, a paixão é um bem ou um mal? Nenhum! Ela é apenas vista como um viés positivo ou negativo, vai depender do ponto de vista de cada realidade.
O coração não passa de um romance experimental, um romance de tese. Ah é? Pobre ingênuo o leitor que confiar plenamente nessa mera afirmação sem algum tipo de dado bibliográfio.
É extremamente complicado descrever o coração de um poeta. Passar para o papel sentimentos abstratos exige uma complexidade muito elevada. Os motivos? Os mais diversos possíveis... ausência de semas adequados, ausência de coragem, enfim, que o leitor decida a opção que mais lhe apetecer.
E assim vou vivendo com minhas patologias...

terça-feira, 20 de março de 2012

Entre os suspiros do vento...


"O amor vem quase sempre contra a nossa vontade, e ainda contra nossa vontade se deixa ficar em nossos corações"
(Os dois amores)

No ensino superior, todos os trabalhos que escrevemos devem possuir uma fundamentação teórica. Não importa se você compreendeu o texto e fez sua própria análise. Para alguns docentes, a sua opinião pessoal é vazia. Sim, devemos achar um teórico que sustente as nossas palavras, mesmo se por acaso este não existir... Enfim, regras da vida acadêmica.
Ao longo dos semestres é incontável a quantidade de dados bibliográficos que nos são fornecidos. São diversos autores consagrados. Deuses gregos, a construção da língua, Grécia, Roma, civilização, variedade e preconceito linguístico, Descartes, Platão, Fiorin, Irandé Antunes etc.
Passamos por diversos conceitos e teorias. Existem teóricos e teorias para quase tudo, chega até ser incrível. Parece que cada uma das pessoas foram feitas para escrever sobre tudo o que se possa existir no mundo das humanas. O que é Linguística? O que é gramática gerativa? O que é semântica, pragmática e sintaxe? O que é transcrição fonética? O que é isso ou aquilo?
Para todos os tipos de conceitos existem livros e teóricos. Existe uma teoria para a teoria. Existe uma teoria para a palavra teoria.
Gosto dessa vida acadêmica. Gosto de verdade. Meu maior desejo: ter todos os livros da bibliografia básica e complementar! Teoria, cara Teoria.
Em meio a tantos conceitos e autores, encontro todas as respostas para as minhas dúvidas. Na estante, vários livros, até que um dia você começa e sentir determinadas coisas, a perceber algo diferente e pergunta: 
- O que é amar?
Neste momento a estante está vazia...

sexta-feira, 9 de março de 2012

Fui um doudo em sonhar tantos amores...


Após uma aula com tantos conceitos e filosofias, penso que você poderá escolher a doutrina que mais lhe apetecer. Darwinismo, positivismo, determinismo, enfim... Apenas pense que determinar é diferente de influenciar. O seu coração é movido pelo quê?
Ah, destino querido, sempre pregando peças e brincando de marionete com esse frágeis seres humanos... O instinto atua no comportamento humano... e quem disse que possuímos livre arbítrio?
Os instintos dominam...

Fui um doudo em sonhar tantos amores...
              Que loucura, meu Deus!
Em expandir-lhe aos pés, pobre insensato,
              Todos os sonhos meus!

E ela, triste mulher, ela tão bela,
              Dos seus anos na flor,
Por que havia de sagrar pelos meus sonhos
              Um suspiro de amor?

Um beijo - um beijo só! eu não pedia
               Senão um beijo seu
E nas horas do amor e do silêncio
               Juntá-la ao peito meu!
[...]
Ah, querido Álvares!!!